Intermediário (Intermediário)

Então você estava lendo sobre Cabalá e ouviu falar do seu Tikun (ou “Ticun”, como eu prefiro grafar o termo). E o que é esse bendito ticun?

Literalmente, ticun significa “reparo” ou “conserto”.

Num texto mais avançado falarei do porquê de existir o ticun, mas por ora basta saber que todos nós temos ticunim (pl. de ticun) ou “reparos” a fazer em nossa alma. Além disso, a Cabalá explica que esses reparos que precisamos fazer são o motivo pelo qual nós fomos criados no mundo. Assim, pode-se dizer que foi para isso que nascemos – para realizar o nosso ticun.

É nesse sentido que é possível entender o ticun como uma espécie de “missão pessoal”.

Não missão no sentido do que você escolheu como o mais importante da sua vida, mas missão no sentido de o que sua alma veio fazer e realizar no mundo.

Não é você que escolheu o seu ticun, é o seu ticun que te escolhe.

Yair, como então eu identifico e realizo meu ticun?

A resposta mais chocante é que, talvez, você não precise identificar o seu ticun.

Como assim, Yair? Você não acabou de falar que eu preciso fazer o ticun e só por isso que eu fui criado no mundo?

Calma, eu explico!

Se você estiver fazendo atos de reparo em si ou no mundo, o que importa se esses atos são o seu ticun ou não? Você está reparando e melhorando o mundo, e isso já é muito bom!

Se eu te disser que o seu ticun é A, corre o risco de você ficar obcecado com A, e não fazer nada mais na vida. Por isso, às vezes não saber o seu ticun específico pode ser muito bom, porque você fará vários tipos de consertos, e, inclusive, pode acabar realizando o seu ticun.

Além disso, sendo honestos: quem pode garantir que você (ou alguém) conseguiu identificar o seu ticun corretamente? E se eu disse que seu ticun é B mas, na verdade, é C?

Já pensou passar uma vida fazendo algo por achar que é sua missão e depois descobrir que você estava errado?

É por essas e por outras que ultimamente eu venho questionando cada vez mais a necessidade de “saber meu ticun”. Agora, por outro lado, isso não significa que a Cabalá não tenha métodos ou ferramentas que visam a ajudar a conhecer nosso ticun.

Cito brevemente algumas delas:

Astrologia, Quiromancia (leitura da mão), Fisiognomia (leitura do rosto), Autoanálise, Conversa com um tsadic (uma pessoa com muito conhecimento espiritual e bastante “intuição”).

Ok, entendi, Yair. Então não estou preocupado em saber exatamente meu ticun, mas como eu realizo reparos no mundo?

E a resposta é: basicamente de qualquer modo e como você quiser. Praticamente tudo o que você faz, em qualquer área que for, pode ser considerado um reparo.

Por isso a Cabalá diz que o ticun pode envolver um monte de coisas e sempre pode ser realizado de vários modos. Não há só um jeito único e correto de fazer esses consertos. Toda vez que você age você pode estar corrigindo o mundo.

Veja que eu digo “pode” pois, obviamente, você também pode estar fazendo o oposto, se o seu ato é mais destrutivo do que reparador.

Então, vamos a alguns exemplos.

Vamos supor que você é uma pessoa ciumenta. Você repara que isso está causando problemas a você e às pessoas de quem você gosta, então você começa a tentar controlar o ciúmes e tomar atitudes práticas para melhorar nesse quesito. Parabéns, você começou a realizar um ticun.

Ou, por exemplo, você nasceu numa família particularmente briguenta, e você percebe que a energia de animosidade é muito forte e está causando mais mal do que bem. Você então decide tomar atitudes para promover um pouco mais de paz na sua família. Parabéns novamente, você está agindo diretamente para chegar a esse objetivo e, com isso, já está realizando um ticun.

Para você ter uma ideia de como praticamente qualquer coisa promove um ticun, Isaac Luria – um dos maiores cabalistas que já existiu – ensina que um ticun pode ser realizado até mesmo por exercícios meditativos, de contemplação ou por uma oração feita com bastante devoção. Não vou explorar nesse artigo a lógica por trás disso, mas Luria defendia veementemente essa ideia.

Então apesar de eu ter dito que ao agir você realiza um ticun, repare que nesse ensinamento do Luria fica claro que o ticun pode ser realizado de modo totalmente “internalizado”, dentro de mim mesmo, sem eu mover um dedo sequer.

Se você quer entender mais profundamente a lógica por trás da existência do ticun, busque o meu texto mais avançado sobre o tema – Ticun – Conceitos Avançados.

Mas o importante é perceber que cada vez que eu me empenho em melhorar uma característica minha (da minha personalidade, do mundo emocional, do intelecto), em melhorar o mundo ao meu redor, ou até mesmo em realizar um ato com total devoção e concentração; em todos esses casos eu já estou promovendo um ticun e reparando o mundo, pois estou realizando mudanças internas e/ou externas que estão trazendo mais qualidade para a existência.

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