(#Intermediário)

Vimos em um post anterior O QUE É CABALÁ e o que ela nos ensina.

Mas toda sabedoria do mundo deriva seus ensinamentos de algum lugar: então de onde vem a sabedoria cabalística? Onde eu posso encontrar os principais ensinamentos da Cabalá?

No artigo técnico – O QUE É CABALÁ – você viu como a essência dos ensinamentos da Cabalá é extraída da própria Torá, mas de modo diferente do que o faz o judaísmo.

Então, a primeira grande fonte de ensinamento cabalístico – ea maior delas, disparado – é, obviamente, a Torá. Nesse sentido, um dos melhores modos de começar a se aprofundar na Cabalá é estudar um Torá com comentários de algum cabalista. Dois dos mais famosos para isso são Ibn Ezra, e o Ramban (Nachmânides). O estudo da Torá, além de ser o mais fundamental, tem uma excelente vantagem: existe um sistema de leitura semanal – as parashiot – que fazem com que se leia um pouquinho da Torá a cada semana e que o texto todo seja concluído em um ano ! É como ter um cronograma de aulas ao iniciar um curso, o que torna o estudo do Torá muito didático.

Se falarmos de usar comentários cabalísticos sobre a Torá, chegamos à segunda grande fonte de ensinamentos da Cabalá: o Zôhar.

O Zôhar foi escrito no século II por um dos maiores cabalistas que já existiu, o Rabi Shimon bar Iochai, e se trata justamente de comentários cabalísticos sobre a Torá. Não é à toa que o Zôhar está dividido exatamente conforme parashiot que mencionamos, ou seja, seguindo as mesmas porções semanais que já se usa para ler a Torá.

Cabe, no entanto, um aviso: o Zôhar não é um livro fácil de se ler, e está longe de ser “didático”. Quando comparamos os comentários do Zôhar com os outros cabalistas (como os citados Ibn Ezra e Nachmânides), fica logo muito fácil ver que é quase impossível ler o texto sozinho, e que o ideal é ter um professor que auxilie o entendimento.

Hoje em dia eu estou realizando a primeira tradução integral do ZÔHAR ao português (diretamente do aramaico original) e, assim, o texto talvez esteja mais acessível para muitos do que jamais esteve ao longo de anos. Mas, ainda assim, fica o aviso. Mesmo com o texto traduzido em português, a compreensão do seu conteúdo é complexa e dificilmente pode ser levada a cabo sem auxílio.

Seguindo com uma lista de obras base para aprender Cabalá, chegamos a duas outras fontes de ensinamentos cabalísticos: o Sêfer Ietsirá e o Bahir.

 

Sêfer Ietsirá

Atribuído ao Patriarca Abraão (e, portanto, um livro anterior à própria Torá), o Sêfer Ietsirá ensina como o mundo foi criado com as letras do alfabeto hebraico e como o entendimento das letras e suas energias entendre e até manipular o mundo ao nosso redor .

 

Bahir

O Bahir é atribuído a um cabalista chamado Nechunia ben Hacaná (século I). Trata-se basicamente de comentários ao livro de Gênesis, e foi escrito na forma de um diálogo entre mestre e discípulo.

É um livro que explica o significado mais profundo de alguns versículos bíblicos e que também se debruça sobre as letras do alfabeto hebraico e assuntos ligados a elas (vogais, marcas de cantilação e sua forma física).

—-

A Torá com os três livros identificados são considerados os mais clássicos e fundamentais da Cabalá. Repare, no entanto, que o que foi dito para o Zôhar se aplica aos outros dois livros. Todas essas obras devem ser estudadas com comentários ou com a ajuda de um professor. Apesar de serem livros clássicos e fundamentais, isso não significa que sejam livros didáticos ou fáceis de ler, muito pelo contrário. Muitas vezes os textos cabalísticos eram escritos propositalmente obscuros e sujeitos, para que a informação não fosse facilmente acessada por qualquer pessoa.

Nesse sentido, cabe fazer um alerta: não se iluda achando que é possível aprender Cabalá apenas lendo livros.

E, mais importante talvez do que isso, não se deixe enganar pelo que se pode chamar de “Cabala New Age”. Muitas pessoas hoje em dia – mais por questões de marketing e de dinheiro do que outra coisa – se anunciam como verdadeiras detentoras do conhecimento cabalístico e se pintam como capazes de interpretar os textos cabalísticos mais profundos quando, em muitos casos, mal sabem ler hebraico ou entendre os conceitos mais básicos e primários da Cabalá.

Desconfie de professores ou escolas que fazem um Cabalá parecer ser um assunto super pop, ou quando os ensinamentos são rasos (e repetitivos) demais – se tem algo que um Cabalá não é pop ou superficial.

Não estou defendendo também que o ensinamento da Cabalá seja feito propositalmente dificil e apenas para uns poucos gênios eleitos, mas se ao ouvir aulas em uma escola você percebemos que o tema “é sempre o mesmo” e que o conteúdo parece se repetir sempre, apesar de você estar “avançando de nível ou de módulo”, desconfie. Em geral isso é um sinal de que faltam conhecimentos mais profundos para aquele professor ou naquela escola, e por isso tudo o que eles conseguem te passar é aquele ensinamento raso e vazio.

Do mesmo modo, se ao ouvir uma aula de Cabalá tudo te parecer muito da categoria “auto-ajuda”, desconfie: isso não é Cabalá. Embora um Cabalá certamente irá mudar sua vida (e mude), certamente esse não é seu foco principal (mudar a sua vida é um efeito secundário e colateral, que ocorre naturalmente à medida que você estuda).

Em um post futuro falaremos de outras obras cabalísticas importantes que eu já não classificaria como “básicas”, mas que certamente são fundamentais, principalmente para o aluno que já caminhou um pouquinho nos conceitos e agora precisa aprofundar seus estudos.

{"cart_token":"","hash":"","cart_data":""}