(Avançado)

Jacó (também chamado de Israel) teve doze filhos, e é daí que surgem as famosas Doze Tribos de Israel.

Tudo começa quando Jacó precisa fugir de seu irmão Esaú, que queria matá-lo por causa de uma trapaça engendrada por Jacó (sob orientação de sua mãe, Rebeca). Durante seu exílio, Jacó se casa com duas esposas (Raquel e Lea) e adquire duas concubinas (Bilá e Zilpá).

Com essas quatro mulheres, Jacó tem treze filhos:
Lea tem seis filhos e uma filha: Reuven, Shimon, Levi, Judá, Issaschar, Zevulun e Diná.
Raquel tem dois filhos: José e Benjamin
Zilpá tem dois filhos: Gad e Asher
Bilá tem dois filhos: Dan e Naftali.

Desses treze filhos, doze (apenas os homens) foram considerados tribos independentes.

Ao contrário do que muitos pensam, no entanto, as tribos não tinham todas igual status. Cada uma das tribos tinha características e funções específicas, sendo que a umas era vetado o que para outras era permitido. Além disso, a Torá conta como Jacó mostrava preferência e favoritismo por alguns de seus filhos (como José e Benjamin) em detrimento dos demais, o que também influenciou o destino de cada tribo.

Por exemplo: nos dois episódios em que cada tribo recebe uma bênção especial (primeiro por Jacó e, depois, por Moisés), vemos que as bênçãos dadas a cada tribo são bastante diferentes, e correspondem ao histórico e traços de cada uma delas.

Foi ainda por essa diferença entre as tribos que elas passam por uma alteração em sua configuração original: a tribo de José foi dividida em duas pelo próprio Jacó. Isso ocorreu pois José foi tratado como primogênito (embora tenha sido o penúltimo filho a nascer), em detrimento de Reuven. Depois da mudança, a tribo de José foi dividida em duas “semi-tribos”: Efraim e Manassés (que eram filhos de José, e netos de Jacó).

O Fenômeno das Dez Tribos Perdidas
Durante todo o período de conquista da Terra de Canaã (sob liderança de Josué) e até a formação da Monarquia de Israel, as tribos formavam uma espécie de confederação política, descrita em detalhes no livro de Juízes. Há muito debate histórico sobre a real existência dessa confederação e o fato de que essa conquista do território tenha ocorrido como narrado nos livros bíblicos; mas, seja como for, segundo o relato, depois de conquistada a terra, ela foi dividida em doze setores, um para cada tribo (e aqui ocorre mais uma mudança nas tribos, pois a tribo de Levi não é considerada tribo nesse sentido; por sua função sacerdotal, ficou-lhe vetado a posse de terras).

Depois de alguns anos de monarquia unificada, em que o rei governava sobre as doze tribos, o império se dividiu em duas partes: o Reino de Judá ficou mais ao sul, composto pelas tribos de Judá e Benjamin, e o Reino de Israel ficou ao Norte, composto pelas outras dez tribos.

Este Reino do norte (de Israel) foi conquistado pelo Império Assírio (em 722 antes da era comum) e assim as Dez Tribos de Israel foram perdidas para todo o sempre; tornando-se um dos grandes mistérios da história, da arqueologia e da antropologia. Especula-se que uma boa parte dessa população tenha sido morta, uma boa parte deve ter sido escravizada e uma outra boa parte pode ter fugido, ou ter sido simplesmente exilada, condenada a vagar sem rumo pelo planeta. Além disso, deve-se acrescentar os fenômenos de miscigenação e aculturação a que essas tribos podem ter passado, se dissolvendo entre outros povos.

Seja como for, hoje as identidades tribais se perderam nas areias da história, e a maioria das pessoas não consegue dizer de que tribo veio (apesar disso, há alguns grupos humanos ao redor do planeta que defendem serem sucessores de uma tribo específica).

Veja no artigo de sequência a este – As Tribos à Luz da Cabalá – qual é o significado das doze tribos para a Cabalá.

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