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O calendário cabalístico é totalmente diferente do calendário “ocidental” (hoje conhecido como “gregoriano”). A primeira grande distinção é a idade de cada um. Enquanto o calendário cabalístico tem pelo menos 2500 anos de existência, o calendário gregoriano foi inventado apenas em 1582 (ou seja, há pouco mais de 400 anos).

A segunda grande diferença entre ambos os calendários é a base sobre a qual cada um está estruturado. Enquanto o calendário gregoriano toma como base a relação da Terra com o Sol, o calendário cabalístico foca mais na relação da Terra com a Lua.

Assim, segundo o calendário gregoriano, tudo é baseado no tempo que a Terra demora para dar uma volta ao redor do sol. Já no calendário cabalístico, os cálculos são todos baseados em algo mais fácil de mensurar: as fases da Lua.

Como um fenômeno celeste extremamente visível, acompanhar a mudança da Lua no céu foi algo logo percebido pelos cabalistas (e diversos outros povos antigos) e usado como base de cálculo para a passagem do tempo. Como é fácil perceber ao observar a Lua, os cabalistas notaram que ela sempre seguia um curso regular: em alguns momentos estava invisível ou quase invisível no céu, depois sua luz começava a aparecer, para em seguida ficar totalmente visível e redonda e, por fim, começar a ter sua luz desaparecendo novamente (no sentido oposto do aparecimento), chegando outra vez a um estado de invisibilidade.

Os cabalistas notaram que esse ciclo durava sempre cerca de 29 dias e que, portanto, em cada uma das fases mencionadas a Lua se demorava por cerca de quinze dias (do “nascer” ao ficar cheia, e do ficar cheia ao “sumir”).

Com isso, ficou muito fácil definir a duração do mês cabalístico, que se inicia sempre que a lua começa a surgir no céu (Lua Nova).

Já no caso do calendário gregoriano, a lógica é mais anual do que mensal, por assim dizer. A base de cálculo é o tempo que a terra demora para dar uma volta completa ao redor do sol (cerca de 365 dias). Nesse período há o início das estações, que dividem o ano em quatro grandes fases e, daí, fez-se a divisão em doze meses. Essa divisão por doze é um tanto quanto arbitrária, nesse sentido. Para se ter uma ideia, o calendário “ocidental” e solar já teve dez meses, por exemplo – o ano começava em março e terminava em dezembro. Por sinal, esse é o motivo pelo qual os meses finais do ano se chamam setembro (sete), outubro (oito), novembro (nove) e dezembro (dez). Mas, ao que tudo indica, definiu-se o ano com doze meses por influência das 12 constelações zodiacais, pelas quais o Sol “caminha” ao longo do ano.

Acertos matemáticos

Como o ciclo da Lua não dura exatamente 29 dias, e tem alguns valores “quebrados”, às vezes o mês cabalístico pode ter 30 dias, para fins de acerto de cálculo.

Nessa mesma lógica, um outro acerto de cálculo é comumente feito no calendário cabalístico.

Como o ano solar dura cerca de 365 dias e o ano lunar apenas 354, anualmente os dois calendários ficam com uma diferença entre si de cerca de 11 dias.

E qual é a importância disso?

O que ocorre é que além de certas festas cabalísticas terem que ser comemoradas numa data específica do calendário hebraico, elas também precisam cair numa estação do ano em particular.

A festa de Pêssach, por exemplo, sempre ocorre em 14 de Nissan (um dia antes da Lua Cheia), mas a Torá diz que ela tem que ser ligada à primavera (no Hemisfério Norte).

Assim, se essa diferença de 11 dias não for corrigida, Pêssach a cada ano cairia 11 dias “mais para trás”, e eventualmente passaria a ser comemorado no inverno, por exemplo.

Portanto, para corrigir essa variação (que vai aumentando anualmente), o calendário cabalístico conta com um “acerto” feito com base no Sol (e não na Lua, como o resto do calendário). Chega-se a uma situação em que o mês cabalístico é sempre definido pela lua, mas a cada tanto um mês inteiro é colocado no calendário para que não se perca a referência do Sol e das estações do ano. É por isso que, na verdade, alguns preferem dizer que o calendário cabalístico é lunissolar, e não apenas lunar. Isso também explica por que as festas cabalísticas cada vez caem em um período diferente do calendário gregoriano. No caso de Pêssach, por exemplo, a data hebraica, como dito, é sempre 14 de Nissan, mas às vezes isso cai em março e às vezes em abril no calendário gregoriano. A diferença se dá pois depende de quantos dias “de atraso” estão acumulados com relação ao calendário solar das estações do ano.

Quando essa correção de adicionar um mês inteiro ao calendário cabalístico é feita, temos um ano bissexto. Assim, enquanto o ano bissexto gregoriano adiciona apenas um dia ao mês de fevereiro, o ano bissexto cabalístico adiciona um mês todo ao calendário (e o ano fica com 13 meses). O mês escolhido para se adicionar é o mês de Adar, e essa correção é feita em sete momentos específicos a cada 19 anos. Nos anos bissextos, falamos dos meses de Adar 1 e Adar 2, ou de Adar Alef e Adar Bet.

Repare que a regra para o ano bissexto gregoriano é muito fácil e simples do que a cabalística: adiciona-se um dia a mais ao mês de fevereiro a cada quatro anos. Já a regra cabalística é algo mais complexa: são sete alterações num período de 19 anos.

Quando ocorrem essas sete alterações? Nos anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19 do ciclo. Na prática, isso significa que podemos ter um mês a mais (o segundo Adar) a cada 2 ou 3 anos (mas nunca mais do que isso).

Astronomicamente, esse ciclo de 19 anos é chamado de Ciclo Metônico (ou pelo nome latino antigo, Eneadecaeteris). Em termos concretos, é como se esse sistema permitisse usar um misto ou média entre o sistema solar e lunar. Graças a esse sistema, ainda que a data cabalística das festas varie em relação ao calendário gregoriano, a variação nunca é muito grande, e em geral se resume apenas a cerca de 10 dias a cada ano.

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