Iniciante(Iniciante)

 

Se olharmos para um corpo morto e um corpo de uma pessoa viva, não é preciso grande poder de dedução para perceber que, embora fisicamente ambos os corpos tenham os mesmos componentes – cérebro, coração, estômago -, há algo faltando no corpo morto e algo presente no corpo vivo, e que é esse algo morto que faz com que o corpo morto esteja morto e o corpo vivo esteja vivo. Esse “algo” é o que, em português, se chama de alma.

No entanto, a alma é uma estrutura muito mais complexa e importante do que se pode imaginar. Ao contrário do que pode parecer ao usar simplesmente o termo “alma”, a Cabalá ensina que essa alma não é uma entidade coesa, íntegra e igual para todos os seres humanos (ou seres vivos). Pelo contrário, o que se chama de “alma” é um complexo de diferentes níveis e energias, que pode variar imensamente na sua composição de ser humano para ser humano.

Para além disso, a “alma” não só dá a vida ao corpo, mas também define e influencia muito do que esse corpo sentirá, pensará, experimentará e como agirá.

É por isso que a Cabalá não tem um só termo para “alma”, mas, na verdade, cinco. Cada um desses termos representa um nível de uma estrutura que, em português, se chama simplisticamente da alma.

O primeiro nível da alma se chama Néfesh. É o nível mais baixo da alma, e o que nos dá a consciência do mundo físico e o que faz o nosso corpo funcionar. É a Néfesh, portanto, que define se um corpo está vivo ou morto. Quando ela está presente no corpo, o cérebro funciona, o coração bate, o sangue circula etc. Quando a Néfesh vai embora, o corpo cessa de trabalhar e viver. É por isso que a Cabalá nos ensina que a Néfesh está intimamente ligada a nossos desejos físicos e nosso instinto de sobrevivência. É graças à Néfesh que temos vontade de comer, de beber, de eliminar nossas excretas, de dormir e até mesmo de se reproduzir.

O segundo nível da alma se chama Rúach. Superior à Néfesh, é um nível mais ligado ao mundo emocional. Assim, toda a enorme gama de sensações que os seres humanos podem ter só é possível pela existência do Rúach. Quando tentamos refinar as nossas emoções – algo recomendado pela Cabalá – ou aqueles que tentam suprimir emoções – algo não recomendado – estamos atuando no nível do Rúach.

O terceiro nível de nossa alma se chama Neshamá. Superior aos dois anteriores, está mais ligado ao intelecto e aos poderes do pensamento. Quanto mais desenvolvemos nossa inteligência, nossa razão e nossa compreensão e entendimento do mundo, mais estamos desenvolvendo o nível da Neshamá. Pessoas com uma Neshamá forte são aquelas que demonstram habilidades cognitivas/intelectuais surpreendentes. Essas habilidades podem ser tanto do tipo racional/intelectual como do tipo criativo/artístico.

O quarto nível de alma, chamado Chaiá, já não tem um paralelo específico a uma faculdade corporal. Nesse sentido, diz-se que Chaiá é um nível extra-corpóreo, ou que transcende o corpo. É o nível de nossa alma responsável por observar o mundo não-físico. É com Chaiá que “sentimos” a energia do Universo, a vida dos seres humanos e a própria existência do Criador. Com Chaiá olhamos para o mundo físico, mas vemos além do físico – vemos o que é transcendente. Em algumas tradições, atingir esse nível é chamado de “ver além do véu”, “ver para além da ilusão do mundo material”. Ou seja, é ver o mundo como ele realmente é.

Por fim, o quinto e último nível da alma se chama Iechidá. Superior a todos os demais, também é um nível “extra-corporal” (já que Chaiá já o era), e é o nível que nos permite sentir a essência da própria alma, a essência do nosso ser, a essência de quem realmente somos. Como sabemos que nossa essência é a própria essência divina, Iechidá é o nível que nos faz sentirmos a própria existência do Criador, e, mais do que isso, como a minha existência ocorre na própria existência do Criador.

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