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A Cabalá é uma religião?

A resposta curta e grossa é: não. Mas vejamos o porquê.

O que define uma religião é objeto de grande debate entre os estudiosos do tema. Muitas vezes se tentou enumerar uma lista de itens que devem existir para que “algo” seja considerado uma religião, mas nem sempre a lista é precisa, pois é fácil encontrar sistemas religiosos que não contemplem os itens listados e acabem sendo “exceções” (quando, na verdade, não são).

De modo geral, no entanto, pode-se dizer sem medo de errar que toda religião contém:

  1. alguma crença sobre o divino
  2. objetos sagrados
  3. um sistema de fé/crença (ou dogma)
  4. Práticas que se podem chamar religiosas (como rituais, sermões, celebrações, etc).

A Cabalá não possui nenhum desses quatro itens. Vejamos:

Crença sobre o divino
A Cabalá não fala de nada como D’us ou de nenhuma divindade e muito menos pede que se acredite nessa Divindade. O que a Cabalá fala é a da existência de um Criador do Universo (que algumas pessoas confundem com D’us) e justamente para evitar se misturar com a religião ou temas correlatos, a Cabalá evita discorrer sobre a divindade desse Criador. Muito mais importante é entender esse Criador como doador de toda a energia vital necessária para existência do Universo e a relação que podemos ou não ter com esse Criador. Nada disso depende de “crença”.

Objetos Sagrados
Embora a Cabalá reconheça que objetos podem ser sagrados dependendo do uso e consagração que lhes é dado em uma determinada religião, a Cabalá em si não se utiliza de nenhum objeto sagrado e nem exige que se reconheça qualquer objeto como sagrado para o seu estudo. Assim, para estudar e conhecer a Cabalá, tudo o que a pessoa precisa é de informação, seja por um livro, por um curso, por um professor, e jamais de objetos sagrados.

Sistema de Fé/Crença (Dogma)
Como dito ao falar sobre o divino, a Cabalá também não envolve crenças e não exige que o aluno “acredite” em nada. Nesse ponto, a Cabalá se assemelha às ciências – trata-se de um estudo, de pesquisa, de análise, de conhecimento e, talvez, o mais importante, inclusive de debate e discussão. Aquilo que muitas religiões veem como negativo – debater e discutir as ideias centrais da religião – a Cabalá vê justamente como algo importantíssimo, pois é ao questionar e perguntar que o ser humano aprende, amplia seu conhecimento e, assim, cresce como indivíduo.

Práticas que se podem chamar religiosas
Novamente, como no caso dos objetos, a Cabalá reconhece que rituais ou atos religiosos podem ser importantes e têm o seu valor espiritual dentro das religiões e de suas culturas. No entanto, para ser um estudante de Cabalá ou aplicar os conhecimentos da Cabalá em sua vida, ninguém precisa de nenhuma prática religiosa. A Cabalá, como ciência que explica o Universo, consegue nos ensinar o porquê de certas práticas religiosas serem benéficas para o ser humano (como, por exemplo, o jejum ou o arrependimento), mas ela jamais exigiria que o aluno tivesse a prática constante de jejuar ou de se arrepender de maneira ritual e religiosa para avançar em seus estudos. Isso é uma decisão que fica a critério do aluno e, nesse sentido, é algo que fascina muitas pessoas, pois é justamente o que permite que gente de qualquer religião estude a Cabalá sem ter que abandonar suas crenças ou sem sentirem que os estudos feitos se chocam com seus valores religiosos já existentes.

Se você quer saber um pouco mais sobre isso, leia o post “Por onde começar a estudar Cabalá”.